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PREFEITO DE SÃO BERNARDO SE RECUSA A COMENTAR SOBRE CASO DO MUTIRÃO DA CATARATA

Ao ser abordado durante encontro com a população na Estrada da Xiboca sobre as ocorrências registradas no mutirão de cirurgias de catarata, no dia 30 de janeiro, o prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho (PT) foi evasivo e se recusou a comentar o assunto. "Faça-me o favor! Fale com a Odete (Gialdi - secretária de Saúde) ou com a comunicação, muito me admira vocês virem até uma atividade para conversar sobre isso", disse.

O MP (Ministério Público) do Estado encaminhou ontem ofício à Secretaria de Saúde de São Bernardo solicitando informações sobre os acontecimentos. O procedimento foi realizado em 27 pessoas no HC (Hospital de Clínicas) da cidade, sendo que 21 delas adquiriram infecção ocular por bactéria, pelo menos 17 ficaram cegas e dez precisaram remover o globo ocular.

O promotor de Justiça Marcelo Sciorilli deu prazo de até 5 dias para que a Pasta, comandada pela secretária Odete Gialdi, responda os questionamentos. Passados 13 dias do procedimento cirúrgico, a Prefeitura ainda desconhece a origem da contaminação causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa e informa que o resultado de sindicância administrativa e de vigilância instaurada será conhecido até o início de março.

As cirurgias de catarata foram realizadas sob o comando do oftalmologista Paulo Barição, funcionário do Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista, contratado pela administração desde 2013. A equipe do jornal Diário do Grande ABC retornou à sede da empresa, no bairro Campo Grande, em Santos, mas foi informada de que o sócio majoritário, o oftalmologista Elcio Roque Kleinpaul, não estava no local e não retornaria. O espaço também sedia a clínica particular do profissional, o Instituto Kleinpaul de Oftalmologia.

O departamento de comunicação do Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista encaminhou nota, na tarde de ontem, na qual destaca ter realizado 946 cirurgias de catarata no HC em 2015 sem nenhuma intercorrência. O comunicado atesta ainda que o "cirurgião que realizou as intervenções é portador de título de especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Associação Médica Brasileira, que todos os insumos utilizados em qualquer ato cirúrgico têm, obrigatoriamente, registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e que o material reciclável utilizado passa pelo criterioso processo padrão de esterilização do próprio Hospital de Clínicas." Já em relação ao material utilizado pelo médico-cirurgião, a empresa destaca ser de exclusiva propriedade e responsabilidade do profissional.

Até a conclusão da investigação, a Secretaria de Saúde de São Bernardo suspendeu o contrato com a prestadora de serviço. Desde que o convênio entre o instituto e a Secretaria de Saúde de São Bernardo foi firmado, a empresa já recebeu R$ 2,4 milhões da Prefeitura comandada por Luiz Marinho (PT), sendo R$ 177,7 mil apenas neste ano.

Na quarta-feira, familiares de seis vítimas do mutirão que perderam a visão, todas idosas, registraram boletim de ocorrência na Delegacia de Proteção ao Idoso do município. Outras 11 pessoas que também adquiriram infecção ocular se organizam para entrar com ação coletiva contra a Prefeitura na Justiça.

A Secretaria de Saúde do município destaca que "somente a investigação poderá esclarecer qual a forma de contaminação, que pode ter se dado pelos medicamentos ou pelos insumos usados nos procedimentos cirúrgicos ou ainda por outros meios que, ratificamos, somente a análise e a rastreabilidade dos processos poderão esclarecer" e garante que "todos os pacientes serão atendidos em suas necessidades, com o fornecimento de insumos, próteses, óculos e demais equipamentos de apoio, incluindo os procedimentos de reabilitação para o desempenho de atividades diárias."

O advogado José Luiz Macedo, que representa o Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista, espera que o resultado da análise de todo o equipamento e insumos, pelo Instituto Adolfo Lutz, na Capital, seja divulgado ainda no fim do mês. Só assim se poderá constatar a procedência da bactéria que ocasionou a infecção e resultou na cegueira dos pacientes.

Fontes: Diário do Grande ABC e A Tribuna


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