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Aposentados sofrem assédio para contratar consignado

Por R$ 200, camelôs oferecem dados de recém-aposentados à empresas que liberam o crédito consignado

Poucos dias após pedir a aposentadoria ao INSS, o bancário Sérgio Andrade, 60 anos, começou a receber ligações com ofertas de empréstimo consignado de quatro grandes bancos. Quem telefonava já sabia o valor do benefício, antes mesmo do primeiro salário ter caído na conta.

As ligações só pararam depois que o aposentado registrou uma reclamação na Ouvidoria do INSS. “Falaram que eu deveria procurar a polícia, mas ninguém explicou como conseguiram os meus dados financeiros.”

O caso ocorreu em dezembro do ano passado, em Campo Grande (MS), mas na última segunda-feira, segurados e procuradores que estavam na Previdência Social da rua Coronel Xavier de Toledo, centro de São Paulo, confirmaram que o assédio aos aposentados é comum. “Eles ligam até quando tenho aumento”, disse uma aposentada, que não quis ter o nome publicado.

Receber ofertas de empréstimo é rotina para a assistente social Vera Lúcia Martins, 59 anos. Ela auxilia idosos a conseguir a aposentadoria. “Como sou procuradora, deixo meu telefone como contato no INSS”, explica. “Eles ligam assim que o benefício sai”, relata.

A Procuradoria Geral da República confirmou investigar dois casos de venda de informações de segurados do INSS em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Apesar de ilegal, a venda de cadastros com centenas de milhares de telefones de aposentados acontece à luz do dia na região central da capital. “O CD custa R$ 200”, disse um dos vendedores, sem saber que conversava com a reportagem. A lista fica pronta um dia após a encomenda— pode ser feita pelo aplicativo de celular Whatsapp. ]
(Por Clayton Castelani Jornal Agora)


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